Palavras. Apenas palavras.

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência, a vossa! Ai, palavras, ai, palavras, sois de vento, ides no vento, no vento que não retorna, e, em tão rápida existência, tudo se forma e transforma!” […] “Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa! Todo o sentido da vida principia à vossa porta; o mel do amor cristaliza seu perfume em vossa rosa; sois o sonho e sois a audácia, calúnia, fúria, derrota…”  (Cecília Meirelles)

Palavra que cria, palavra que rebenta.

Palavra que constrói, acima de tudo.

Uma cesta cheia de boas palavras remedia. Cheia de palavras ruins envenena. 

Confrontamos com palavras duras, ásperas. Palavras necessárias. A clareira da mudança. 

A palavra é mutável. Mutante. Matante. Pode ser caligráfica. 

Palavra sangra. 

Tem sabor, cheiro, cor. Calor e frio. 

Palavra dita é caminho sem volta.

E ainda bem. 

Palavra é bicho preso; quando solta é touro brabo, marcado a fogo. 

O cimento do mundo unindo esses tijolos. (E derrubando alguns. Por que não?)

Palavras são componentes de uma chuva invisível, cuja torrente é capaz de despedaçar aquilo que o ser humano tem de mais valioso: o coração. 

Mas se as palavras despedaçam também umedecem a terra. Regam os pedacinhos do coração, que nascem mais fortes. Adubo de palavras.

Palavra é viva e morta. Serva de dois senhores. Palavra que renasce, revigora e dá força! 

Quem dera ter mais palavras para explicar essas palavras.

Palavras sem explicação. Explicação sem palavras.

Palavra que ama de verdade – e tem a alma pura – não acaba com o amor. Fortalece-o. 

Palavras. Apenas palavras

—–

Diego Moura

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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2 respostas para Palavras. Apenas palavras.

  1. É uma pena que muitas pessoas usem esse tão precioso recurso com tanta displicência. Não têm noção das consequências, apenas têm que lidar com elas, por piores que sejam. Porém, creio que piores são aqueles que não enxergam o poder conciliatório que uma palavra tem. Ah, se o que se causa com a palavra fosse resolvido com ela própria…

    Mais um excelente texto, meu caro! Recheado de verdades!

    Abraço!

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