Homenagem aos verdadeiros Mestres

Passei minha pré-escola na escola que pertencia à minha avó. E mais que isso: tive o privilégio de ser alfabetizado por ela, minha primeira professora. Na “Brincando de Aprender”, dentre outras magníficas e marcantes experiências, descobri que o Papai Noel, participante das festas de Natal, carregador dos sacos de presente era ninguém menos do que meu avô!

Descobertas à parte, foi justamente o final desse período que marcou a primeira grande mudança da minha vida: passei do ambiente aconchegante, tranquilo e protegido da escolinha de vovó para a primeira série do ensino fundamental, num colégio que nem se compara em termos de tamanho e quantidade de crianças. Foi um choque! Sair do ninho, da zona de conforto e cair num mundo de desconhecidos. A arte de fazer novas amizades, enturmar-se com todos. Isso lá pelos idos de 1999 (e o melhor é que doze anos depois, conservo contato e uma grande amizade com vários daqueles, na época, “estranhos”).

Noêmia, Roseli, Cristina e Lizani. Professoras dos quatro anos do fundamental, respectivamente. Cada qual à sua maneira, marcantes.

Noêmia por ser a primeira e  “nos recepcionar” no colégio. Além disso, já era relativamente próxima a mim, por ser amiga de meus tios, que foram professores no meu antigo colégio. Minha primeira feira de ciências! Poluição, cuidado com o meio ambiente…Tenho fotos, só preciso achá-las e escanear. Com ela, perdi contato.

Roseli, que depois de perder contato, me achou há pouco tempo pelo Facebook. Doce, amiga dos alunos, bastante próxima e muito querida por todos. Deixou saudades quando passamos à terceira série, mas nunca deixava de nos observar, já que as salas eram perto. Hoje, ela mora no Espírito Santo.

Cristina. Um pouco mais séria, mas não menos divertida. Quando foi nos ensinar fração, pediu que trouxéssemos bolos, chocolates etc. para que a gente aprendesse na prática! Foi uma aula inesquecível. Ainda trabalha no meu colégio, mas, como faz tempo que não tenho notícias dela, é provável que já tenha se aposentado.

E Lizani, a última professora do período. Foi o ano de encerramento do ciclo de uma professora que nos acompanhava o ano todo, e a passagem para o desmembramento das disciplinas em múltiplos professores. Sua paciência e habilidade em solucionar conflitos foi bastante útil em algumas pendengas que tive com alguns amigos naquele ano – mas nada que não tenha sido prontamente superado. Também foi apoiadora do nosso “Clube de Pesquisas Espaciais” – chegamos a furar a segurança de áreas do colégio para observar o céu! Ela se mudou para a Inglaterra para acompanhar a missão do marido, o pastor Arno.

É incrível como essas cinco mulheres acima me marcaram! Como esquecer verdadeiras mestres? Pessoas que contribuíram fortemente para o que sou hoje.

Além de pessoas incríveis, foram professoras incríveis. E aí é que está a diferença entre ser professor de fato e encarar a profissão como um mero ofício, mera técnica.

Elas nunca acharam que sabiam tudo e nós, nada. Pelo contrário: sempre consideraram que cada aluno é um ser humano único, cujas possibilidades de aprender e ensinar são ilimitadas e infinitas.

Muito nos ensinaram, mas aprenderam também. O ensino é uma via de mão dupla, nunca é unidirecional, como alguns querem fazer crer. E é importante deixar claro que a disciplina nunca foi sinônimo de autoritarismo ou intransigência,, mas ao contrário. Relações baseadas em profissionalismo, mas, acima de tudo, em respeito, carinho e dedicação verdadeira à causa a qual se propuseram: ensinar.

Portanto, meus mais sinceros parabéns aos verdadeiros Professores. Àqueles que merecem serem chamados assim, afinal SÃO professores, e não empregados de uma indústria, como parecem pensar alguns.

Dediquei esse post a essas professoras em especial, mas ele é extensivo a todos os bons professores que tive durante o ensino fundamental e médio:

Laudelino Aparecido (Matemática), Márcia Siqueira (Português), Célia Pilz (História), Ângela Maria da Silva (Geografia), Eric Nakano (nosso coordenador de sala durante todo o ensino médio, Física/Matemática), Wilson Ferreira (História), Gilmar Peyerl (Química e Ciências, durante o Fundamental), Luiz Cassanho (Geografia), Sami Lopes (Matemática), Adriano ‘Gontijo’ (Inglês),  Murilo de Assis e Cássio ‘Geladeira’ Silveira (Gramática e Literatura), Pr. Jones Marlow (Cultura Religiosa), Diógenes Mathioli (Biologia), Dagmar Amsberg (Artes), Edson Eller (atual coordenador, mas que em 1999, dava aula de informática e nos apresentou ao Google). Domênico e Carmen (Educação Física).

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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