50 anos, muito tempo

Você consegue mensurar o que são cinquenta anos?

Meio século. Mais de 18500 dias. Ou 438 mil horas. Ou ainda 26280000 minutos. Minha humilde vida não tem nem a metade desse tempo todo.

Hoje foi a missa de comemoração dos 50 anos do casamento dos meus avós maternos. Não preciso nem dizer: emoção pura. Meio século de carinho, respeito e muito amor. O que sou hoje devo muito, mas muito mesmo a vovô e vovó.

Fica até difícil comemorar, pois o casamento deu-se em três datas: a fuga, em janeiro de 1961 (meu bisavô era contra o casamento, então meu avô, pilotando num Jipe, num dia chuvoso, fugiu com minha avó), o casamento civil em março, e o religioso no mês seguinte.

História cinematográfica. E cada vez mais rara. Nem tanto pela questão da fuga – hoje, foge-se a todo instante e com qualquer um. Essas comemorações, e o forte abraço emocionado que dei no casal no final da celebração, me fizeram pensar em quão banal está nosso mundo.

Troca-se de marido e esposa como se troca de cueca. São cada vez mais raros os casais que alcançam longas datas juntos – e na mesma proporção aumentam os casais separados, cujos casamentos tornaram-se infernais ou simplesmente se desgastaram. Em dois, três anos, muitas vezes o “laço eterno” ou o “que a morte os separe” é desfeito como se nunca tivesse existido. Onde fica o amor? Por que as coisas não dão mais certo e duram mais?

Claro, eram outros tempos. A coisa era completamente diferente, a maneira de encarar as relações: elas eram para a vida toda e não meras letras assinadas num cartório. A palavra assumida diante do padre, pastor, juiz era levada à sério.

Estamos condenados ao mundo do rápido e do instantâneo, onde o duradouro não é mais possível.

Os laços indissolúveis da união não passam de um pacote de comida congelada: consumo efetuado, embalagem descartada.

E vocês, que acham disso?

Anúncios

Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
Esse post foi publicado em Cotidiano, Vida do Disimo. Bookmark o link permanente.

4 respostas para 50 anos, muito tempo

  1. Belo post, cara!!

    Algo cada dia mais raro em um mundo onde os valores, se não estão perdidos, estão sendo completamente denegridos ou ignorados.

    Domingos atrás pensei exatamente nisso que você escreveu. Estava em uma missa, como em todos os domingos, dedicada a um casal que estava completando 60 anos de união. Algo incrível e que nos faz rever um pouco os valores atuais da sociedade.

    Parabéns aos seus avós!!

    Abraço!

    • Disimo disse:

      Rapaz,

      Com certeza…certos valores que se perdem são irrecuperáveis. E, infelizmente, a tendência é só piorar…casamentos de longa data, só nas memórias de todos…=[

      Forte abraço!

  2. Toni disse:

    Chorei de novo!

  3. Sonia disse:

    O seu depoimento é mais uma prova de que somos muito daquilo que nossa família nos faz ser! E ainda bem que fazemos parte dessa família. Tenho orgulho dos 50 anos dos meus pais, assim como tenho muito orgulho de indicar esse texto aos meus amigos dizendo: “olha o que o meu sobrinho escreveu.”
    Bjs
    Titia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s