Detalhes do ‘Profissão Repórter’

Do Portal Comunique-se

Os bastidores da reportagem. Caco Barcellos conta detalhes do “Profissão Repórter”

Renan Justi

Em sua terceira temporada na TV Globo, o jornalístico “Profissão Repórter” retornará de férias no dia 5/4. Entre as reportagens investigativas que irão ao ar, uma abordará a música popular brasileira, reportagem que quase obrigou o jornalista Caco Barcellos, apresentador e repórter do programa, a largar a pauta. “Passei duas noites sem dormir, estava quase desistindo, mas, de repente, estava na casa deles (família que relutava em atendê-lo)”, revela Caco, idealizador do projeto “Profissão Repórter”, em Simpósio realizado nesta terça-feira (22/3) na USP, em parceria com o Globo Universidade.

A respeito das diferentes técnicas de produzir e editar as reportagens, o editor Caio Cavechini, ex-aluno de jornalismo da ECA, enfatiza a necessidade da matéria final ser “muito mais do repórter do que editor”,  e que o estilo de reportagem exibida pelo programa depende muito da proximidade entre repórter e câmera. “Nós sempre privilegiamos a narração genuína do repórter, com BG (som de fundo) e as entrevistas em ação”, explica Cavechini, que está no programa desde o início e também exerce o papel de repórter.

Cracolândia
Caco Barcellos entrevistou usuários de crack no centro de São Paulo por duas vezes. No entanto, sua última visita foi marcada por ameaças e apedrejamento ao carro da TV Globo, que foi atingido por crianças viciadas. “Ficamos marcados pela cobertura do crack. Nessa matéria, três moleques chegaram para tentar me apunhalar, mas bastava você encostar o braço neles para afastá-los, tamanha era a fraqueza daquelas pessoas”, relembra Caco, que anteriormente visitou o mesmo local pelo programa “Globo Repórter”.

“Driblar assessores”
A denúncia de que treze trabalhadores morreram por exposição excessiva ao sol em um canavial exigiu práticas incomuns à equipe do ”Profissão Repórter”. Caio e Caco lembram que duas reportagens foram feitas para abordar aquele tema, uma delas acompanhada pela assessoria de imprensa da empresa responsável pelos funcionários do canavial, e outra sem a “parceria” dos assessores e com uma microcâmera escondida.

“Quando visitamos o canavial com a assessoria de imprensa, a reportagem ‘funcionou’ porque havia ambulância médica para atender os cortadores de cana, eles estavam vestidos com roupas próprias para trabalhar e tinham sombra para comer no almoço”, conta Caco que, na sequência, pediu para parte da sua equipe se “enfiar no canavial” e mostrar, sem o acompanhamento dos assessores, que nada daquilo mostrado na primeira reportagem representava o cotidiano daquele canavial.

‘Aquela’ reportagem
Questionado sobre qual foi a matéria mais marcante da sua carreira no “Profissão Repórter”, Caco escolhe a recente história dos policias do BOPE, vistos, por grande parte da sociedade, como ídolos, mas que tiravam vidas. “Foi corajoso porque foi contra a corrente majoritária”, destacando a abertura da Rede Globo ao veicular um material que desagradaria “84% dos cidadãos que acham os capitães Nascimento os novos heróis da sociedade”, conclui Caco.

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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