Dragagem do Tietê segue inativa até abril

Diego Moura e Thiago de Oliveira

Engenheiro diz que se espera um novo modelo de licitação até o final do mês de abril. O objetivo, segundo ele, é tornar a gestão das obras mais eficiente. Enquanto isso, operários realizam manutenção em barcaças, dragas e outros equipamentos.

“Isso aqui é que nem serviço de casa: não acaba nunca”. Dessa forma o engenheiro Dráuzio Agianotto, do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo), classifica o trabalho de contenção de águas do rio Tietê que se encontra parado desde novembro. Ele considera ideal uma manutenção mais aprofundada a cada dois anos, no mínimo. A interrupção do serviço se deve ao período de chuvas e a mudanças contratuais na licitação para realizar as obras.

Pelo fato do nível do rio ultrapassar o normal, as barcaças e dragas, usadas no desassoreamento, não  tem estrutura para alcançar o leito do rio. No caso da licitação, Dráuzio informa que houve uma mudança de gestão dos contratos: a concessão do serviço para a realização das obras passa de 12 para cinco anos. Isso representa vantagem à empresa e ao governo, pois proporciona um rompimento contratual mais ágil em caso de ineficiência nas obras.

A eficiência do modelo de contrato e das operações é colocada à prova, principalmente, nesses últimos meses. Segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, os pontos de alagamento praticamente triplicaram em quatro anos às margens do Tietê. Considerando apenas o bimestre inicial de cada ano, foram 36 pontos em 2008 e 101 neste ano. E com isso, os transtornos aos moradores da região se intensificaram. “Na época de chuva não dá para ficar tranquila em casa: é sempre em estado de alerta para levantar móveis e tirar o carro da garagem para não perder. E com essa pausa das obras, essa preocupação não vai acabar tão cedo”, conta Monica Meira, estudante do Mackenzie, que mora próximo à Marginal do Tietê. Sobre a pesquisa, Drauzio é enfático: “a imprensa é muito sensacionalista”.

Barcaças e dragas estacionadas: chuvas e contratos

“A responsabilidade é do regime de chuvas, muito intensas nesse ano, das ocupações irregulares, do  aquecimento solar (sic)”, segundo Agianotto. Apesar de apontar fatores externos, o engenheiro reconhece que o DAEE é inteiramente responsável por controlar a quantidade de água aceitável no rio. Cabe à SABESP e à CETESB cuidarem dos níveis de poluição.

Em meio às margens atulhadas de lama e lixo, o rio Tietê enche sem controle. E, enquanto esperam equipamentos e contratos mais eficientes, quem sofre é a população que não tem como escapar dessa selva urbana negligenciada por tantos anos.

[texto para disciplina de Redação e Edição, jornal laboratório Comum. Palpitem!!]

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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