Visões sobre os benditos slides

Abaixo, dois comentários com visões interessantes sobre o uso dos slides em sala de aula. Foram feitos sobre o texto Parem de ler slides! Somos alfabetizados, postado nos comentários do Blog do Nassif.

André:

De fato, também sou contra o uso de PowerPoint como ferramenta primeira para aulas. Mandar o PPT por e-mail é pedir que as pessoas não os abram, seja pelo abuso no uso desse recurso (vide correntes de e-mail), seja por aquele ser apenas um conteúdo a mais dentre os muitos que você recebe.

Sobre alfabetização, infelizmente tenho notado um emburrecimento progressivo das pessoas, a ponto de elas se tornarem incapazes de interpretar textos ou levar em conta o contexto e a intenção do autor. E, acredite, há analfabetos funcionais com diploma superior, algo que tem agravante ainda maior. Ainda que possamos falar de política iletrogênica, é injusto e ridículo externarmos todas as causas do analfabetismo funcional de alguém, ainda mais se virmos que da mesma escola podre de onde saiu esse analfabeto funcional vemos alguém que passa em faculdade de ponta. Por que o último passou em faculdade de ponta, sendo que recebeu a mesma educação podre do colega analfabeto funcional? Não seria a coisa óbvia e que ninguém quer ver (ou, se vê, coitadizar o analfabeto funcional dizendo que ele é vítima da sociedade) de que, enquanto o incapaz de ler qualquer coisa mais complexa (e, se perigar, funcionalmente analfabetizando até no ônibus ou no metrô) cabulava aula para jogar sinuca e contava com a aprovação automática, seu colega orgulho do lar levava a sério o esforço daquele professor desrespeitado por alunos folgados, bem como lia algum livro (mesmo que emprestado de uma biblioteca) e também aproveitava a mesma internet que alguns usam só para ver Orkut para pegar conhecimento?

Claro que o uso de PPT não deve de todo ser demonizado, uma vez que é apenas um instrumento e, como tal, com mais de um uso. Já vi , em cursos de aperfeiçoamento profissional que fiz, professores que usavam o PPT de forma sábia, leia-se aproveitá-lo como algo já pronto com o conteúdo que será passado e dispensar o ato de ter de escrever a mesma coisa sempre. Portanto, ele não é intrinsecamente bom ou ruim, apenas é.

Ebrantino:

André, concordo inteiramente com você. É preciso entender que um curso não militar, é sempre algo optativo. O aluno, discente, pupilo, discípulo ou seja lá qual for a palavra usada hoje para o que está lá para aprender algo, tem a inteira liberdade de aproveitar bem, aproveitar mal ou nada aprender. De modo geral pode concluir o curso no prazo,ou se quiser virar aluno profissional, multiplicar o tempo de permanencia várias vezes. Até hoje a experiencia mostra que há os alunos de ótimo aproveitamento, os de aproveitamento médio, e os de máu aproveitamento. Não depende da capacidade mental do aluno. Depende de muitos fatores, sendo que, eu ligando o achômetro, palpito que o principal fator é o empenho, a vontade de aproveitar. Isso explica porque um professor ineficiente pode formar um aluno brilhannte; e vice versa, um professor absolutamente brilhante solta verdadeiras nulidades. Assim como podem sair brilhantes profissionais de faculdades ou cursos sofriveis, e pode sair uma nulidade de uma renomada faculdade. Quanto ao analfabetismo funcional, cada vez mais generalizado, no meu entender, merece todo um estudo dos especialistas, das autoridades, e de todos os interessados.

NECESSÁRIO DAR ATRATIVO À LEITURA, FAZER PROMOLÇÕES, GINKANAS, CONCURSOS, INSTITUIR MEDALHAS, PREMIAÇÕES, ENFIM USAR TODOS OS ESTÍMULOS, para incentivar a leitura desde a 1a. série do fundamental, e nunca parar, nem mesmo nos cursos de pos-graduação. Realmente, é de estarrecer a falta de capacidade de interpretar textos, e, especialmentre, de formular textos. É cada vez mais raro encontra alguem que senta em frente ao teclado e sai “mandando bala”, como diz o Nassif. E, paradoxalmente, vemos pessoas com apenas 2, 3 anos de escola perfeitamente capazes de interpretar, sustentar a sua interpretação, e até escrever coisa própria. O Assunto  é para especialistas, mas o Ministério da Educção poderia começar instituindo uma campanha nacional, e um prêmio honroso ao mestre que apresentasse o melhor trabalho para sanar esse PROBLEMA. Prometo não participar, por velho, e por leigo. Ebrantino

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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