Dá-lhe sujeira

Do Estadão

Contra enchentes, água do Pinheiros será bombeada mais rápido à Billings

Mas plano do governo do Estado, que inclui a compra de mais três bombas, é criticado por ambientalistas e secretário de São Bernardo
Eduardo Reina – O Estado de S.Paulo

O governo de São Paulo quer aumentar de 12 para 15 o número de equipamentos que bombeiam água dos Rios Tietê e Pinheiros para a Represa Billings. Hoje os existentes nas Usinas Elevatórias de Traição e Pedreira jogam 675 metros cúbicos por segundo. O plano é aumentar em 200 m³/s. Mas essa alternativa da administração estadual para minimizar enchentes na capital já desperta polêmica: além de ineficaz, especialistas dizem que ela pode aumentar o volume de sujeira no manancial que abastece quase 30% da Região Metropolitana de São Paulo.

 

O bombeamento de águas do Pinheiros para a Billings foi proibido em 5 de outubro de 1992. O despejo pode ocorrer apenas em situações de emergência: para evitar enchentes na capital ou falta de água nas indústrias da Baixada Santista. Fora disso, a prioridade é não poluir as águas, utilizadas para abastecimento.

“É proibido pela Constituição paulista bombear o Pinheiros para a Billings. Agora, na enchente, eu não vejo problema”, disse ontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB). “No caso do Pinheiros, estamos estudando aumentar ainda mais o bombeamento. À medida que você bombear com mais eficiência para a Billings, fizer a reversão do Pinheiros, você ajuda o Tietê a passar mais depressa.”

A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), responsável pelo bombeamento, informou que a instalação de três novas bombas aumentará a disponibilidade e a confiabilidade do sistema, que deve estar apto a atuar em momentos de chuva intensa, com risco de enchentes. Mas não aumentará o volume de água bombeada, “que continuará sendo análogo aos volumes provocados pelas cheias atuais”. A justificativa para ampliar a quantidade de equipamentos é bombear em um tempo menor, drenando rapidamente regiões de várzea dos Rios Pinheiros e Tietê, para evitar transbordamento.

A previsão para compra das três bombas, fabricação, obras civis e instalação é dezembro de 2013. E o custo será de R$ 190 milhões, segundo a Emae. Alckmin aposta que os investimentos em coleta a tratamento de esgoto na terceira etapa do Projeto Tietê também vão melhorar a qualidade da água dos rios, minimizando impactos ambientais do bombeamento na Billings. “Vai melhorar muito o Pinheiros, que pode ficar até no mesmo nível ou melhor que a Billings.”

Mas o tema causa controvérsias. “Não estou convencido de que não haverá aumento de água bombeada para a Billings. Mais bombas significam mais tempo de bombeamento e aumento de águas contaminadas para a Billings. A resposta do governo é uma falácia. Não se pode jogar o esgoto na casa do vizinho. São Bernardo não é a latrina de São Paulo”, reclama o secretário de Gestão Ambiental de São Bernardo do Campo, Gilberto Marson. Para ele, a proposta é inconstitucional, pois a consulta aos municípios afetados é obrigatória por lei. “São Bernardo não foi consultado.” Reunião com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente está agendada para o dia 10.

“O bombeamento desde 1992 é feito sem estudo de impacto ambiental e sem licenciamento. As novas bombas precisam de estudos e licenciamento. Não vi nada até agora”, afirma Virgílio Alcides de Farias, presidente do Movimento em Defesa da Vida do ABC. Ele considera “papo furado” o argumento de que bombeamento mais rápido das águas do Pinheiros ajudará a minimizar enchentes. “Sempre que chove forte, São Paulo inunda. E desde 1992 isso não funciona.”

A Emae informou que atenderá a todas as exigências ambientais e as 12 bombas em funcionamento não têm estudos ambientais, porque “são instalações anteriores à necessidade de elaboração de EIA-Rima”.

Para o professor do Laboratório de Hidrologia e Hidrometria da Unesp de Ilha Solteira, Jefferson Nascimento de Oliveira, mais bombas são eficazes em um primeiro momento. “A solução passa pela readequação do sistema de drenagem, com mais piscinões e parques lineares.” / COLABOROU RENATO MACHADO

 

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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