Ei, Al Capone, vê se te emenda

Do Opera Mundi

Hoje na História: 1929 – O massacre do Dia de São Valentim: Al Capone acerta contas com gangue rival

Em Chicago, no dia 14 de fevereiro de1929, sicários suspeitos de estarem a serviço do chefe do crime organizado, Al Capone, eliminam sete membros da gangue de George “Bugs” Moran numa garagem da rua North Clark. O famigerado Massacre do Dia de São Valentim provocou uma verdadeira onda na imprensa centrada em e em suas atividades ilegais desafiando a Lei Seca, motivando as autoridades federais a redobrar seus esforços para encontrar evidências suficientemente incriminatórias para tirá-lo das ruas.

Wikimedia Commons

Fotografia do Departamento de Justiça dos EUA mostra Al Capone em junho de 1931

Alphonse Capone nasceu no Brooklyn em 1899, filho de imigrantes italianos de Nápoles. O quarto de nove irmãos, abandonou a escola no 6º grau pára se juntar a uma gangue de rua. Conheceu Johnny Torrio, chefe do crime que operava em Chicago e Nova York e aos 18 anos empregou-se num clube de Coney Island de propriedade do gangster Frankie Yale. Foi enquanto ali trabalhava que seu rosto foi cortado em uma briga, o que lhe valeu o apelido de Scarface (cicatriz na face).

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Em 1917, sua namorada ficou grávida, casaram-se e se mudaram com o filho para Baltimore, onde Capone tentou construir uma vida respeitável trabalhando como guarda-livros. Em 1921, porém, seu velho amigo atraiu-o para Chicago, onde Torrio havia montado um impressionante sindicato do crime e começava a fazer fortuna com o comércio ilícito de bebidas alcoólicas, banido em 1919 pela 18ª Emenda à Constituição.

Capone demonstrou considerável sagacidade para o negócio, tendo sido indicado por Torrio como gerente de um bar clandestino. Mais tarde, Torrio encarregou-o de controlar o subúrbio de Cicero. Diferente de seu chefe, que era sempre discreto, Capone ganhou notoriedade ao lutar pelo controle do arrabalde.

Em 1925, Torrio foi alvejado 4 vezes por Bugs Moran e Hymie Weiss, sócios de um bandido assassinado pelos homens de Torrio. Torrio sobreviveu e, levado às barras do tribunal, foi sentenciado a nove meses de prisão por tentar deter uma ação policial contra sua cervejaria. Um mês depois, chamou Capone à cadeia para dizer-lhe que estava se retirando e que lhe entregava todo o negócio.

Capone mudou seu quartel-general para o luxuoso Metrópole Hotel, tornando-se uma figura visível na vida de Chicago enquanto seu império criminoso se expandia continuamente. Depois que um procurador foi assassinado pelos sequazes de Capone, a polícia passou a agir agressivamente contra suas operações criminosas, sem poder, no entanto, provar nada contra ele. Capone comprou um imóvel luxuoso em Miami como refúgio a sua exagerada exposição.

Capone estava na Florida em fevereiro de 1929 quando deu sinal verde para a eliminação de Bugs Moran. Em 13 de fevereiro, um contrabandista ligou para Moran oferecendo-lhe vender uma carga de caminhão de uísque de alta qualidade por preço baixo. Moran mordeu a isca e na manhã seguinte dirigiu-se ao local de entrega onde deveriam comparecer também vários de seu bando. Chegou um pouco tarde e no exato momento em que chegava à garagem viu o que parecia dois policiais e dois detetives saindo de um carro e dirigindo-se à porta do prédio. Imaginando que tinha evitado por pouco uma batida policial, Moran afastou-se. Os quatro homens eram sicários de Capone e só entraram no edifício antes da chegada de Moran porque se enganaram pensando que entre os sete homens que já lá estavam um era o próprio chefão.

Usando uniformes policiais roubados e pesadamente armados, o bando de Capone surpreendeu os homens de Moran que tiveram de se enfileirar contra a parede. Imaginando que tinham caído presas de uma batida de rotina, deixaram-se desarmar. No momento seguinte, foram alvo de uma saraivada de tiros de pistola e submetralhadora. Seis morreram instantaneamente e o sétimo resistiu menos de uma hora.

A opinião pública ficou chocada com o assassinato a sangue-frio e questionavam se o pecado da bebida sobrepujava a maldade de gangsters como Capone. Embora, como de costume, exibisse um álibi perfeito, muitos não duvidavam de sua participação no massacre.

Com um mandato de Herbert Hoover, o novo presidente, o Departamento do Tesouro levou a cabo uma investida contra Capone, esperando encontrar provas suficientes de violação à Lei Seca e ai Imposto de Renda a fim de levá-lo aos tribunais. Em maio de 1929, Capone foi condenado por portar arma oculta e enviado à prisão por 10 meses. Entrementes, agentes do FBI, como Eliot Ness, um dos “Intocáveis”, continuava a reunir provas.

Em junho de 1931, Capone acusado de evasão do imposto de renda. Em 17 de outubro, principalmente com base no depoimento de dois de seus ex-contadores, foi considerado culpado. Uma semana depois foi sentenciado a 11 anos de prisão e 80 mil dólares de multas e custas processuais. Ingressou na penitenciária de Atlanta em 1932 e em 1934, transferido para a nova prisão da ilha de Alcatraz, na baía de San Francisco. Nessa altura a Lei Seca já havia sido revogada e o império de Capone, ruído.

Libertado, em 1939, após somente 7 anos de cárcere devido ao bom comportamento e créditos por trabalhos penitenciários, Capone sai doente de recidiva de sífilis contraída na juventude. Trata-se num hospital de Baltimore e em 1940 retira-se para sua casa em Miami, onde viveu até sua morte em 1947. Seu rival, Bugs Moran, morreu pouco depois de câncer de pulmão enquanto cumpria sentença em Kansas por roubo a banco.

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14/02/1989 – Sandinistas da Nicarágua concordam em celebrar eleições livres
14/02/1941 – O Afrikakorps do general alemão Erwin Rommel desembarca em Trípoli
14/02/1946 – É criado o primeiro computador totalmente programável

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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