Colaborador do Estadão fala sobre prisão na Rússia

Do Portal Comunique-se

Colaborador do Estadão fala sobre o período em que ficou preso na Rússia

Izabela Vasconcelos

O jornalista Solly Boussidan, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, passou por maus momentos nos últimos dias: ficou preso por quase uma semana na Rússia e ainda enfrentou 48 horas de fome. Além disso, o repórter ficou sem tomar banho durante os seis dias em que ficou detido no centro de detenção para estrangeiros na cidade de Adler.

Boussidan foi detido porque autoridades russas alegaram que ele havia exercido a profissão de jornalista sem a devida autorização exigida pelo país. No entanto, ele informou sua profissão ao chegar na Rússia e afirmou que não havia entrado no local para trabalhar. Na época, o jornalista disse ao portal Terra o que as TVs locais falavam sobre o atentado no aeroporto de Moscou, mas não tinha nenhuma pauta agendada. “O atentado de Moscou pegou tanto as autoridades de lá como eu de surpresa”, disse.

Na terça-feira (1/2), o jornalista foi solto e deportado para a Geórgia e ainda permanece no Leste Europeu. Confira a entrevista:

Ao ser questionado, você imaginava que poderia ser punido desta forma?
Não. Eles falavam que era apenas uma infração administrativa e que eu teria que pagar multa. Deram-me uma advogada do Estado, ela nem chegou a falar comigo, nem me deram uma cópia do processo. Só soube da prisão na hora da sentença. Pediram a pena máxima, multa e prisão, e o juiz concordou.

Foi muita injustiça. O juiz não levou em consideração os meus argumentos. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia não ajudou. A sensação que eu tenho é que a Rússia não quer estrangeiros, mas eles precisam rever seriamente a forma como trata os estrangeiros e os jornalistas, porque vão sediar os Jogos de Inverno em 2014 e a Copa em 2018, dois dos maiores eventos esportivos do mundo.

Como foi o tempo que você ficou na prisão?
Dormia num quarto minúsculo com outras cinco pessoas. Fiquei 48 horas sem comer, mas eles me disseram que foi só porque esqueceram de me avisar da comida. Fiquei uma semana sem tomar banho, porque eles não davam toalha e estava muito, muito frio. Não posso dizer que fui maltratado pela polícia de imigração e pelos guardas da prisão, mas foi muito difícil.

Quem mais te apoiou para sair da prisão?
A embaixada brasileira em Moscou foi incansável, eles falaram até com a corte que tinha me condenado. A embaixada da Alemanha tentou ajudar, mas foi muito superficial.

Você já passou por alguma situação parecida como esta?
Não, nunca. Eu já passei por quase 70 países, até em países que são considerados mais problemáticos, na região do Oriente Médio, mas nunca passei por nada parecido.

Agora que saiu da Rússia, pretende voltar ao Brasil?
Ainda não. Tenho alguns trabalhos aqui na Geórgia e Armênia, mas devo voltar ao Brasil em março.

 

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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