O bom, o mau, o feio e o estadunidense

Do Opera Mundi

Wikileaks: Documento revela como Consulado dos EUA em SP classifica brasileiro

Durante o processo de triagem para obtenção de vistos temporários de trabalho nos Estados Unidos, o Consulado norte-americano em São Paulo usa uma classificação interna que compara os solicitantes a bandoleiros e golpistas do cinema, segundo um documento divulgado pelo Wikileaks ao jornal Folha de S.Paulo.

Em uma mensagem enviado em dezembro de 2005 consta que o ex-cônsul-geral dos EUA em São Paulo Christopher J. McMullen divide os candidatos em “bons”, “maus” e “feios”, em referência ao filme The Good, The Bad and The Ugly, de 1966 (na versão brasileira, Três Homens em Conflito).



No carta do filme, o bom, o mau e o feio, respectivamente

No filme, o personagem “bom” é um pistoleiro de modos refinados que, mesmo dando pequenos golpes, é o mais ético do grupo. No consulado, os “bons” são jovens de classe média e de boa escolaridade que tentam ir aos EUA para trabalhar em hotéis, estações de esqui e cassinos para ganhar dinheiro, melhorar o inglês, mas planejam voltar ao Brasil.

Já o “mau” é desprovido de ética. Na avaliação do consulado, são parentes ou amigos de imigrantes ilegais brasileiros em busca de emprego em lavanderias e peixarias e representam grande risco porque muitos, com o visto, não voltam para o Brasil. O “feio” é rude e tem aparência descuidada. Para o consulado, são pessoas “desqualificadas, pobres e desesperadas”, descreve o documento.

No despacho, o consulado relata ter entrevistado 1.515 candidatos a visto de trabalho de janeiro a novembro de 2005, com índice de negação de 49% em relação ao ano anterior.

“Da próxima vez que estiver apostando em Connecticut ou subir numa cadeira de teleférico em alguma estação de esqui, sugiro que cumprimente os empregados com “bom dia” [assim, em português]”, afirmou o cônsul Christopher J. McMullen, em referência ao alto número de brasileiros que viaja aos EUA a trabalho.

O consulado diz que, em vez de pagar para atravessar ilegalmente a fronteira pelo México para conseguir entrar nos EUA, os candidatos têm conseguido petições de trabalho fraudulentas por 3 mil reais.

“Invariavelmente, os candidatos pedem dinheiro emprestado ou vendem o carro para conseguir o dinheiro do visto. Com frequência, quem conseguiu o visto no ano anterior desaparece na imensa população de imigrantes ilegais brasileiros em Massachusetts”, segundo o documento.

Imigrantes pagam aos “coiotes” para cruzar ilegalmente a fronteira sob condições precárias, seja por túneis clandestinos, em cima de trens ou pelo rio, conforme mostrou reportagem especial do correspondente do Opera Mundi no México.

 

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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