De pães de queijo a jornalismo: uma manhã no Pacaembu

Sol forte. Meio quilo de mini-pães de queijo. E muitos flamenguistas. Atributos presentes na minha primeira ida a um estádio de futebol. No caso, o Pacaembu, na final da Copa São Paulo de Futebol JR. Aliás, que da cidade, aniversariante do dia 25 de janeiro, dia do jogo, só tinha o nome. Nada de times paulistas, o confronto foi entre Flamengo e Bahia. Placar de 2 a 1 para a equipe carioca. Um pênalti para cada lado. Jogo impressionante não só pela garra dos jogadores, mas pela força da torcida. Pela TV é impossível ouvir a verdadeira voz da torcida ao grito de gol. No estádio, é inexplicável. Aquele uníssono de vibração. Confesso que me arrepiei em vários momentos*.

Os pães de queijo foram adquiridos e consumidos no pré-jogo. Objetivo: matar a fome de jovens estudantes de jornalismo** em busca de material para a cobertura da final do evento no nosso humilde blog desportivo, Paradoxos da Bola. Já o sol forte e os flamenguistas nos acompanharam das imediações do estádio na chegada até ao ônibus de volta pra casa.

Um dia de sol: em jogo grátis, torcidas do Flamengo e do Bahia comparecem na final da Copinha

Belíssimo jogo e excelente experiência. Acompanhado pelos amigos Guilherme de Morais e Murillo Chamusca, pude assistir a um jogaço. No primeiro tempo, das arquibancadas, já no segundo, das cadeiras, bem próximas de onde o Flamengo ergueu a taça e ao lado da torcida do Bahia, que para minha surpresa também era gigantesca. Estamos produzindo uma pequena reportagem, que conta com imagens exclusivas da cobrança dos pênaltis, a qual vai ao ar entre hoje e amanhã.

Antes de conhecer a turma do time Paradoxos, eu tinha uma opinião bem diferente sobre futebol. Considerava uma atividade apenas para “distração das massas”, panis et circensis, o tal ópio do povo. Mas, mudei radicalmente. Quando se faz um exame mais aprofundado na questão, você percebe o que o futebol traz consigo: mobilização. Consegue-se mobilizar muita gente em torno de um time, há uma mídia específica para divulgação – não apenas de temas futebolísticos, mas dos esportes em geral. Por que não usar essa força que o esporte adquiriu em nossa sociedade para algo proveitoso? Algo que traga benefícios às pessoas, ou seja, mudança de vida, de hábitos para melhor. O mundo dos esportes motiva, transforma os caminhos de milhões de pessoas. Essas, talvez, já estariam condenadas pela selvageria do dinheiro, mas, por meio do futebol, tem uma esperança. Se você consegue lotar um estádio e atrair milhões para frente da TV ou do rádio ou do jornal, você pode transformar radicalmente a sociedade. Claro que devemos levar em conta os interesses por trás do mundo da bola, as buscas desenfreadas por audiência e a necessidade de vender cerveja.

Passei a acreditar nisso, mais do que o esporte unicamente como fonte de alienação das pessoas.

* Obviamente nem todos se enquadram na beleza desse espetáculo futebolístico. Quando chegávamos ao estádio, dois flamenguistas, de torcida organizada, partiram para cima de um torcedor do Bahia, e com socos e tapas, no meio da rua, arrancaram a camisa do time adversário. Isso não é futebol. Isso não é ser humano. Pessoas (?) assim deveriam ser proibidas até de ouvir jogos no rádio.

** É um grande desafio trabalhar em coberturas esportivas. Só vendo de perto para acompanhar repórteres, cinegrafistas e fotógrafos de guarda-chuva à beira do campo para enfrentar um sol de quase 40ºC.

Anúncios

Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
Esse post foi publicado em Blogosfera, Cotidiano, Esportes, Jornalismo, Mídia, Projetos Mackenzistas, Variedades, Vida do Disimo e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para De pães de queijo a jornalismo: uma manhã no Pacaembu

  1. Vaan disse:

    Mt boom, Diii, falta ir assistir um jogo do Verdão, ai q vc vai ver oq é uma torcida que arrepia! haha, brincadeiras à parte, que bom que você mudou de opinião sobre o futebol!! E vc viu meu futuro sofrimento né?? xD, eu quero é ficar aliii, no campo, no sol ou na chuva, cobrindo de pertinho as partidas…
    Ah, deixa eu dizer, eu sempre passo por aqui, e óbvio, resolvi comentar o post de futi, mas seu blog, no geral mesmo, tá mt legal!! =)
    bjss

    • Disimo disse:

      Hehehehe…Segundo o sr. Guilherme e o sr. Murillo, o próximo passo é ir ao Morumbi! hehehehe. Mas irei sim…agora me animei pra ir em estádios xD

      Mudei sim…é muito superficial dizer que futebol é mera distração…e você vai sofrer MESMO. Os caras de guarda-chuva, pareciam q pingavam heheheh

      Muito obrigado e espero que continue visitando! =D

      Beijos e bom resto de férias…até daqui a pouco hehehe

  2. Pingback: Tweets that mention De pães de queijo a jornalismo: uma manhã no Pacaembu | Blog do Disimo – Textos para pensar -- Topsy.com

  3. what about this second sentence?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s