Isso é que é fazer o bem!

A ironia do título se refere ao slogan da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que diz fazer o bem há 140 anos. Será mesmo? Onde está a ética e a moral disso tudo? Por que nosso ilustríssimo mestre da referida disciplina não debate o assunto?

Universidade em São Paulo quer ter o direito de ser homofóbica

Do Blog da Folha

Ao utilizar como justificativa diversas citaçõe da bíblia, a Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo –publicou em seu site um manifesto através do qual exprime a sua opinião quanto à lei que caracteriza homofobia como um crime. Leia abaixo:

Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia

O Salmo 1, juntamente com outras passagens da Bíblia, mostra que a ética da tradição judaico-cristã distingue entre comportamentos aceitáveis e não aceitáveis para o cristão. A nossa cultura está mais e mais permeada pelo relativismo moral e cada vez mais distante de referenciais que mostram o certo e o errado. Todavia, os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas.

Uma das questões que tem chamado a atenção do povo brasileiro é o projeto de lei em tramitação na Câmara que pretende tornar crime manifestações contrárias à homossexualidade. A Igreja Presbiteriana do Brasil, a Associada Vitalícia do Mackenzie, pronunciou-se recentemente sobre esse assunto. O pronunciamento afirma por um lado o respeito devido a todas as pessoas, independentemente de suas escolhas sexuais; por outro, afirma o direito da livre expressão, garantido pela Constituição, direito esse que será tolhido caso a chamada lei da homofobia seja aprovada. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo de natureza confessional, cristã e reformada, guia-se em sua ética pelos valores presbiterianos. O manifesto presbiteriano sobre a homofobia, reproduzido abaixo, serve de orientação à comunidade acadêmica, quanto ao que pensa a Associada Vitalícia sobre esse assunto:

“Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.

Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “. . . desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).

A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.

Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo”.

Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie

—–

Os Mackenzistas, assim como eu e meus amigos de turma, deveriam se envergonhar de tal afirmação e repudiar ao extremo esse tipo de declaração que só traz prejuízos (basta ver os ataques que os homossexuais têm sofrido ultimamente).

Universidade em São Paulo quer ter o direito de ser homofóbica Imprimir Email
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Ao utilizar como justificativa diversas citaçõe da bíblia, a Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo –publicou em seu site um manifesto através do qual exprime a sua opinião quanto à lei que caracteriza homofobia como um crime. Leia abaixo:

Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia

O Salmo 1, juntamente com outras passagens da Bíblia, mostra que a ética da tradição judaico-cristã distingue entre comportamentos aceitáveis e não aceitáveis para o cristão. A nossa cultura está mais e mais permeada pelo relativismo moral e cada vez mais distante de referenciais que mostram o certo e o errado. Todavia, os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas.

Uma das questões que tem chamado a atenção do povo brasileiro é o projeto de lei em tramitação na Câmara que pretende tornar crime manifestações contrárias à homossexualidade. A Igreja Presbiteriana do Brasil, a Associada Vitalícia do Mackenzie, pronunciou-se recentemente sobre esse assunto. O pronunciamento afirma por um lado o respeito devido a todas as pessoas, independentemente de suas escolhas sexuais; por outro, afirma o direito da livre expressão, garantido pela Constituição, direito esse que será tolhido caso a chamada lei da homofobia seja aprovada. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo de natureza confessional, cristã e reformada, guia-se em sua ética pelos valores presbiterianos. O manifesto presbiteriano sobre a homofobia, reproduzido abaixo, serve de orientação à comunidade acadêmica, quanto ao que pensa a Associada Vitalícia sobre esse assunto:

“Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.

Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “. . . desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).

A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.

Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo”.

Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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12 respostas para Isso é que é fazer o bem!

  1. Nicky disse:

    Hummmmmm…

    Posso falar?
    Não se acaba com uma tradição de milhares de anos da noite pro dia.
    Quando as pessoas entram no Mackenzie, elas têm noção de que os valores ali praticados são presbiterianos.

    Sério, sério mesmo, você esperava algo diferente a este respeito????

    O fato não quer dizer que eles vão recriminar homossexuais, ou eles não teriam quorum para os cursos deles. Quer dizer, simplesmente, que eles não vão abrir mão dos valores MORAIS e ERLIGIOSOS deles.
    Esperar que fosse diferente seria como esperar que o Bento XVI aceitasse o casamento gay.

    Pense nisso.
    Beijos ;*

    • Disimo disse:

      Às vezes, o silêncio é melhor do que soltar notas assim. Cada um é livre para ter suas posições, mas a Universidade enquanto instituição de ensino não deveria abrir esse tipo de precedente: penso que ao fazer isso, está sendo conivente com ataques que são praticados contra homossexuais. Na verdade, essa “minoria” já tem problemas demais para chegar mais um jogando pedras. O silêncio teria sido mais feliz para o chanceler.

      Beijos

      • Nicky disse:

        Mas não é esse o meu ponto. Não estou defendendo a “posição anti-lei-homofóbica” que eles adotam.

        Tente entender com outra lógica:
        Eu sou a favor da legalização do aborto, mas sou contra O aborto.
        São coisas completamente diferentes.

        Liberdade de expressão é um direito constitucional.

        O Brasil, apesar de ser um Estado laico, possui instituições religiosas. O Mack é uma universidade presbiteriana, mas mais ainda, é CONFESSIONAL. Isso está no seu contrato de prestação de serviços, está na carta de princípios, está na ética mackenzista que você respira.
        Todo mundo sabe que a Igreja Presbiteriana determina os princípios da Universidade.

        Sendo confessionais, eles deixam claro que há princípios religiosos que ditam as cartas de princípios e o método de trabalho deles.

        O fato de o chanceler se declarar contra A LEI da homofobia, apenas deixa clara a sua posição a respeito desses princípios que eles querem pregar. Isso não significa que eles querem que todos acatem os princípios, ou eles obrigariam todos a frequentarem missas. O que não acontece. Você, estudante de jornalismo, tem o DIREITO de ser ateu, se quiser, numa universidade presbiteriana. Mas você não pode simplesmente ignorar que os princípios deles imperam lá dentro, porque você sempre soube da existência deles.

        De volta à minha comparação com a posição contra ou a favor do aborto, as pessoas exageram nas coisas.

        Claro que o Estado deu uma eloquência imensa à carta, mas com isso eles querem simplesmente dizer:
        “Vejam bem, nós somos presbiterianos e gostaríamos de continuar pregando os nossos princípios, nas nossas Igrejas e nas nossas aulas do Colégio, da maneira como sempre pregamos, sem sermos processados por “homofobia”.”

        É uma instituição que AINDA tem princípios e está simplesmente declarando seu direito de defendê-los.

        Não é um ataque os gays, ou metade dos cursos deles perderiam o quorum. É, pelo que eu entendi do texto (e eu entendo um pouquinho de textos e do Mackenzie, sem soar arrogante, please), uma instituição que está querendo exercer seu DIREITO de pregar a sua ética.

        Quem quiser, que compre. Ou não.
        Mas que eles têm esse direito, eles têm.

        [Desculpe-me pelo texto comprido demais. Fiquei com vergonhinha =X]

  2. Disimo disse:

    É uma visão interessante e deve ser levada em conta. Seus argumentos são válidos, mas, nesse caso, continuo pensando que a posição da Universidade não serve para esclarecer, pelo contrário. Quando fazem isso estão sendo coniventes com o preconceito. Tanto é que tentei encontrar o manifesto no site do Mack e não está lá.

    Todos têm o direito de expressar. Mas não de falar por mim, por ele ou por você. E foi isso que fizeram. O silêncio teria sido melhor nesse caso.

    Claro que se dissessem algo contrário a isso, podiam internar, porque não faria sentido. Porém, isso colabora e muito pro preconceito, penso eu.

  3. Toni disse:

    A liberdade de expressão não é absoluta, ele é limitada pela lei. A lei, por sua vez, tem outros limitantes. Hitler pensava mais ou menos como o “chefe” mackenzista e deu no que deu! Do ponto de vista da “tradição”, “ética própria” etc. outros grupos religiosos também poderiam arvorar-se ao direito de pregarem a homofobia, mas não o fizeram. Pode ser por conveniência política ou por compreender que em pleno século XXI isso não faz sentido!

    • Disimo disse:

      E, o que me deixa ainda mais descontente com isso é a ausência de um debate sério sobre o assunto. O professor de ética, pastor e ligado à igreja e à chancelaria, hoje quando foi questionado sobre o assunto disse que não sabia de nada, que não tinha lido e enrolou. A Universidade dá respaldo para grupos de agressão agirem em nome dos tais “preceitos cristãos”. Volto a dizer, o silêncio teria sido primoroso. A tal carta sumiu do site do Mack.

      • Nicky disse:

        A tal carta sumiu do site do Mack porque elesviram a proporção que isto estava tomando.

        Não quero ser “advogada do diabo”, mas pelo amor de Deus, não sejam ridículos e não lutem por uma causa que não existe.

        Não há nada pior que baderneiros. Não que vocês sejam, mas é o que mais terá nessa manifestação.
        Se querem resolver algo, convoquem uma reunião ORGANIZADA com o DCE e escrevam que vocês são contra os princípios presbiterianos a que se submeteram desde que entraram na faculdade.

        Vocês não precisam obedecer ou não. Vocês têm todo o direito de discordar.

        Mas eles TAMBÉM têm o direito de dizer o que pensam.
        E não houve nenhum ato de “Hitlerismo”.

        Mas whatever. Não vou ficar discutindo.
        Divirtam-se na manifestação.
        =)

        Porque é assim que vocês serão vistos: um circo.
        Mas não é problema meu ^^

        Kisses

  4. Toni disse:

    Por que não se calou o nobre chanceler? Por que ainda vê espaço em nossa sociedade para manifestações estúpidas como essa. A campanha do José Serra, secundado pelos Malafaias e bispos de Guarulhos da vida não deixaram dúvida! Tais atitudes não podem ser desculpadas, nem esquecidas e muito menos jogadas para baixo do tapete! Se não reagirmos contras estas ANTAS eles se sentirão sempre no direito de descer mais um degrau! Vejam o tonto do comentarista da RBS! Os Mainardis e Reinaldos das vejas da vida… Só existem por que consentimos, não reagimos a altura da estupidez dessa gente!

  5. Caros,

    Essa condição de enxergar o homem, a mulher e suas complexidades de uma forma binária, antinatural, me assusta.

    Se nos dias de hoje existem leis que se orientam a proteger uma determinada classe é porque as condições sociais andam precárias assim como a cultura presbiteriana, o conceito de Deus, que anda (ou sempre esteve) ligado à necessidade de poder.

    O paraíso é uma existência fúnebre, ligado a padrões subjetivos impossíveis, dada toda a complexidade, também, dos simbolismos advindos das histórias escritas nos velho e novos testamento.

    O corpo cristão não existe.
    O que há são as figuras coletivas de culpa capitalizada.

    Nasci na igreja presbiteriana e a única relação positiva que tenho com essa história que perdurou por 20 anos, foi a leitura da bíblia de uma forma a entender seu palco literário, para então compreender a escrita de mestres da literatura brasileira como Machado de Assis, ou da filosofia, como Nietzsche.

    E mais nada.

    Vocês não só operam na direção homofóbica como também da misoginia. Esse sintoma faz parte do grande holocausto ideológico em forma de templo em que se encontram as pessoas menos cultas e mais adeptas ao moralismo para cultuar. E como existe público para celebrar a vulgaridade… A história já sofreu muito por conta dos presbiterianos. Tudo muda, menos o oportunismo dos cristãos.

    As únicas transformações que experienciei na 3a Igreja Presbiteriana de Volta Redonda ou na Igreja Presbiteriana Central de Uberlândia, foram as adaptações da Igreja com as demandas do capitalismo e a noção de consumo que passa, sem nenhum filtro, pelas bordas das leis de seu “Evangelho”. Até aqui, Deus está em toda parte inclusive dentro dos Shopping Centers, das concessionárias, ou das inúmeras e risíveis bandas que traduzem o que há de pior na cultura pop mundial para dentro de um lugar reconhecido como santificado. Assim como os novos produtos para consumo, com a grife Jesus Cristo, baseadas também no mesmo conceito desenvolvido pelas grandes máquinas de poder das metrópoles. Nada há diferença entre os cristãos e a moda, mas há resistência na reavaliação de suas leis em detrimento à apropriação dos modelos de consumo.

    Por que vocês gastam horas a fio pensando em como operacionalizar a casa do vizinho ao invés de lutarem por uma “conversão” de seus próprios agregados? Podemos co-abitar um mesmo espaço em nossas diferenças. Não há nenhum problema em sermos diferentes. A ideia de igualdade é uma ideia gasta pela história do fascismo.

    Se há ainda qualquer relação indireta com o que vocês representam na fisicalidade de um Deus, ela pode ser vista no cinismo de uma figura extremamente contextualizada, que chega a ser impressionante, por tamanha sofisticação. Uma Presença Anônima, reforçada pelo poder do discurso autoritário. Isso é uma vergonha.

    Lutar contra uma lei social, que pode vir a afetar positivamente o espaço do outro, é mais do que representar a cultura da morte, mas agir de uma forma oportuna, por uma ideologia que precisa, também, se manter no mercado. Via as agressões contra os gays que crescem nesse país, sem chance de serem eticamente solucionadas.

    Sempre fui homossexual, mas hoje sou casado fora do Brasil e aceito legalmente por uma outra sociedade, um pouco mais desenvolvida que a brasileira, em relação às parcerias gays. Sou feliz. Muito mais quando acreditava que Jesus seria a única potência simbólica de libertação.

    Tenho trabalho, amigos, família e todos fazem parte de um corpo afetivo que vibra dentro de uma história legítima de cumplicidade. A ignorância não é uma benção.

    Convicções:

    A carta de vocês é tão mal escrita que chega a ser risível, ela segue a sintaxe das mesmas estruturas de seu “manifesto” — que aliás, chega a ser ininteligível a relação de vocês com qualquer ordem de manifesto na história, sendo que essa não passa por vocês enquanto substância. Os manifestos são legitimados por escolas literárias, artísticas, políticas que fizeram a passagem de um conceito à outros, que produziram pensamento e não indignação moral.

    Façam-nos um favor, nos deixem em paz.
    Vocês não são tão importantes quanto pensam.

    Sem abraços fraternos,
    sem qualquer sombra de amor ou consideração à vocês,
    subscrevo,

    Wagner Schwartz

  6. Disimo disse:

    Monique,

    Toda discussão é produtiva. O que não é diferente para essa também. Manifestações costumam terminar em bagunça se têm aproveitadores ou intervenções incorretas do lado mais forte (polícia etc.).

    A argumentação que você me cobra é a seguinte: o fato de ele defenderem a não criminalização de preconceito contra homossexuais já é o precedente, a justificativa para ataques; a própria carta em si é o meu argumento.

    E mais uma vez, tem todo o direito de se expressar: se quiser discutir, bem; se não, será bem-vinda aqui do mesmo jeito. Não censurarei nenhum comentário.

    Beijos

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