Jornalismo cultural: perspectivas contemporâneas

Nos dias 20, 21 e 22 deste mês, acontece no Mackenzie, o V Encontro de Comunicação e Letras. Esse evento traz palestrantes relacionados aos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Letras cujos temas de discussões são dos mais interessantes dentro de cada área. Além disso, nessa ocasião, temos a a comemoração pelos 10 anos do curso de Jornalismo em nossa universidade. Pois bem, me inscrevi em três palestras:

20/10 – Perspectivas para o jornalismo cultural.

21/10 – Mídias ‘Alternativas’ – Além da Grande Imprensa

22/10 – Os Desafios do Telejornalismo

Portanto, sempre um dia depois da palestra, haverá um texto correspondente aqui.

“[Algo] que todos entendam e que os eruditos respeitem”. Essa frase foi pronunciada em 1696 pelo primeiro teórico de jornalismo, o alemão Tobias Peucer e capta a essência do ‘ser’ do Jornalismo Cultural.

Isabelle Anchieta, a palestrante, é jornalista, mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutoranda em Sociologia na USP, trabalhou na TV Cultura e Rede Globo (na TV Tem, afiliada da Globo em Minas Gerais) e tem dois livros publicados: “Sete propostas para o Jornalismo Cultural” (2009) e “Mapeamento do Jornalismo Cultural no Brasil” (2008). Talvez seja incorreto usar o termo palestra; foi uma aula. Houve troca de conhecimento, por meio das perguntas que os mais de 70 alunos da sala tiveram a possibilidade de fazer. Teve-se a oportunidade de levar questões como a desvalorização cultural dos aspectos do interior do Brasil.

Segundo ela, o problema começa nos próprios jornais do interior, pois, ao mesmo tempo em que acontece “o festival do Boi-Bumbá no Maranhão, o jornal local dá como capa do caderno de cultura o novo filme do Harry Potter”. Não há espaço para conter tais “regionalismos”. Para Isabelle, isso se dá também pela formação dos jornalistas do interior que, ambientados com professores da capital, se veem amarrados a fazer um tipo de jornalismo da grande cidade, sem levar em conta os próprios elementos de sua regionalidade. Além disso, muitas vezes, os jornais interioranos são meros reprodutores de informações que circulam nos jornalões.

A paixão de Isabelle por dar aulas se reflete em sua didática: clara e muito precisa. Fez uma linha do tempo com fatos que marcaram definições de cultura e do próprio jornalismo cultural. Para não me estender muito, digitalizo, em breve, minhas anotações e posto na íntegra. Só que não posso deixar de observar que a visão dela é um tanto quanto pautada pela grande mídia e com certa utopia de o jornalista ganhar, por si só, um grande espaço em jornalões, por exemplo, dando ênfase à cultura nacional-regional ao invés da que vende mais. Não esqueçamos que jornais são empresas e funcionam como tal, portanto precisam vender, caso contrário, não obtêm lucro.

A próxima palestra será sobre Mídias Alternativas.

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
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