A sepultura dos incômodos

Esse post trata de um assunto sepultado pela mídia brasileira – especialmente a paulista – e, espero, trazido à tona quando o horário eleitoral começar pra valer.

Era dia 12 de maio de 2006. Seria uma sexta-feira como outra qualquer. O dia das mães se aproximava. Mas, mal sabíamos a onda de violência, medo e pânico que se instauraria, principalmente, em São Paulo.

Ataques a bases policiais e do corpo de bombeiros; coquetéis Molotov arremessados contra agências bancárias; agentes de segurança alvejados por bandidos com pesadas armas de fogo; passageiros em pânico expulsos dos ônibus, que instantes depois ardiam nas chamas criminosas, labaredas reveladoras da incompetência e descaso do Estado com relação à segurança pública.

Quem não se lembra daqueles dias? O medo rondando as casas. Pessoas deixando de sair de casa para trabalhar e estudar, pois se saíssem poderiam não retornar. Onde estava o governo? Aonde fora o governador? Geraldo Alckmin, do PSDB, o tal partido político que hoje se vangloria de estar a 16 anos no poder em São Paulo, renunciara ao governo do estado para disputar as eleições presidenciais pouco tempo antes da onda de violência. Assume em seu lugar o vice, Cláudio Lembo, do antigo PFL, atual DEM. O vice revelou uma extrema incapacidade de resposta ao crime organizado (mais organizado do que as próprias forças governamentais). Negou ajuda federal por diversas vezes, se atrevendo a dizer que estava tudo sob controle. Bandidos organizando seus atos criminosos dentro e fora dos presídios (estes, ditos de segurança!)

Esse é o modelo de governar do PSDB e seus compinchas. Negligência e omissão ao povo e a seus próprios servidores (dezenas de policiais e até um bombeiro não escaparam dos assassinatos promovidos pela organização criminosa que age dentro e fora dos presídios). Então, recentemente, chega o candidato José Serra e afirma querer criar um “Ministério da Segurança Pública”, e Alckmin, que largou a cidade nas mãos de um vice impotente, novamente, quer galgar o posto de governador do Estado de São Paulo. Olhem bem em quem vão votar, e não esqueçam do vice.

O “mensalão”, aquele evento de corrupção que envolveu integrantes do governo Lula, é, constantemente, ressuscitado pela imprensa nesses tempos eleitorais. Agora, episódios como os ataques do PCC, a cratera do metrô que engoliu pessoas, rua e uma lotação e os péssimos índices de educação estadual são de forma bem conveniente sepultados pela grande mídia. Que coisa esquisita, não é? Defender quem amordaça jornalistas não parece ser lá muito “defensor da democracia e da liberdade de expressão”.

Para recordar o episódio, confira o especial da Folha sobre o PCC, de 2006, o Observatório da Segurança, o documentário da Discovery Channel “São Paulo sob Ataque” e a reação de Geraldo Alckmin a questionamento do Dateline.

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
Esse post foi publicado em Cotidiano, Mídia, Política. Bookmark o link permanente.

2 respostas para A sepultura dos incômodos

  1. Luana disse:

    Oi
    Muito interessante o seu texto.
    MAs a verdade é que a maioria das pessoas tem memória curta, as que não tem geralmente são as que já sofreram as consequencias de um Estado muito mais organizado e o país… Nem se fala. As pessoas só sabem votar naqueles que parecem ” simpaticos” ou naqueles que ” olha! ele veio até a minha cidade… Olha ele arrumou tal rua” Não adianta fazer só um vez ou ser simpatico, tem que ser bom sempre e fazer sempre.

    Beijos

    • Disimo disse:

      Obrigado pelo comentário e pelo elogio. =)

      Realmente, no Brasil, pratica-se mais a politicagem do que a política, logo temos aí o resultado que deveríamos ver mais nos jornais e na TV, o que geralmente não acontece. O futuro da mídia está na internet, os blogs que o digam. 😉

      Beijos!

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