Apagão

Hoje, inevitavelmente, lembrei desse vídeo.

Ontem, por volta de 22h12, estava me preparando para dormir, mas ainda conectado à Internet quando as luzes se apagaram. Corri até a janela e vi que do lado de fora estava absolutamente tudo escuro. A energia começou a “piscar”, e aí acabou de vez. Meu primeiro ímpeto foi amaldiçoar a Eletropaulo. Peguei o celular e tentei ligar para a dita-cuja e não consegui falar: linhas congestionadas, e depois mudas. Aí pensei: “putz, a coisa foi séria”. Ouvi o porteiro comentando com o síndico que desde a Vila Olímpia não tinha energia. Foi aí que resolvi ligar o rádio do celular. Comecei a procurar estações de notícias. 70% das rádios estavam mudas. Assustador, parecendo aqueles filmes do fim do mundo (inclusive aquele que estreia sexta-feira,13). Parei na CBN. “Falamos da região da Grande Vitória (ES), onde estamos enfrentando problemas de energia”. Aí me liguei nos noticiários, e me dei conta de que enfretávamos uma queda de energia generalizada. Grande parte do país estava mergulhada no caos, e as autoridades, assim como a maior parte dos telefones celulares, estavam mudas.

Fiquei ouvindo as notícias, apenas sob luz de lanternas até a meia noite. Imediatamente, as emissoras de rádio começaram a convocar especialistas para especular. Um professor da Universidade de Brasília chegou a dizer que a energia seria reestabelecida em até 3 dias. Rádio Eldorado, Sul América e Bandeirantes. Interessante a fala de uma senhora: “isso mostra como somos dependentes de um tipo só de energia, vinda de um só lugar. Agora estou aqui, com meu radinho de pilhas e a luz de velas ouvindo vocês. Isso tem que servir para mudar o pensamento de ficar refém de um só tipo de energia e de um só lugar”.

Reféns de uma só energia, ou de uma incompetência? Talvez, sejamos reféns da cegueira à qual estamos submetidos: não nos deixam ver os problemas por trás de serviços elementares. Começou com FHC, cuja incompetência levou aos apagões em 2001 e 2003. Agora, o descaso do governo Lula.

As causas só serão conhecidas no fim da tarde. Como se resolvem os problemas sem saber o que os causou? História esquisita. O melhor é torcer para não ocorrer mais, e ficarmos como o Sr. Madruga com o seu televisor. Afinal de contas, chuvas e vento sempre derrubam linhas de trasmissão. É normal. É natural.

Anúncios

Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
Esse post foi publicado em Cotidiano. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Apagão

  1. Prof Toni disse:

    Os apagões citados são diferentes… No primeiro não havia energia suficiente, neste falou o sistema de transmissão. Três possibilidades: erros de gestão (neste caso você teria razão: descaso do governo federal); acidente e sabotagem. Temos que esperar as investigações para sabermos algo mais “substancioso”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s