A dúvida sobre a existência de algo divino extingue-se
No momento que a linda manhã se levanta.
Quem durante essa semana
Ou mês
Ou ano
Parou para observar o sol nascendo,
Cobrindo a cinza cidade
A selva de pedra
Com seus raios dourados,
Esplendorosos,
Cheios de vida?
E a noite?
Quem parou suas atividades obrigatórias
Para observar as estrelas,
Para contemplar o luar?
A Terra gira,
Um novo dia se inicia
Prenunciando uma nova noite.
Quem sentiu a brisa suave
Do fim do dia?
E a chuva?
Quem parou para sentir
Seus pingos poluídos
Poluídos de civilização?
Ácido progresso.
Todos estão tão empenhados
Nos seus carros
No trânsito doentio
Todos estão tão absortos
No seu trabalho
Nas suas atividades
Que deixam de reparar nas pequenas coisas
O mundo passa desapercebido
Na minha jardineira, vive um grilo.
Que será que ele pensa da vida?

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Sobre Diego Moura

Jornalista com experiência em comunicação corporativa na área de mineração e assessoria de imprensa em organização pública. Um dos autores do livro-reportagem "Não foram apenas as unhas - As mulheres no inferno da ditadura". Atualmente, tem interesse em trabalhos em redação e cobertura jornalística. É autor do blog "Textos para pensar".
Esse post foi publicado em Versos. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para

  1. Renato Couto disse:

    “O mundo passa desapercebidoNa minha jardineira, vive um grilo.Que será que ele pensa da vida?” Este final, é um belo HAI-KAI, em si,dentro do poema…

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